quinta-feira, 31 de julho de 2014

Dançando...


Sentiu-se afundar, precisava de respirar... queria agarrar-se e rumar para o porto seguro que a acompanhava... mas será que era mesmo isso que queria?

Quis ser ela mesma e lutar... queria conseguir fazer, dizer e gritar o que tinha lá dentro... sem medos...

Queria apenas libertar-se do passado, deixar de ter medo de o perder ou de se perder...

Por vezes queria deixar de ser como era e soltar-se... deixar-se levar pela vontade e fazer... sabia o que queria... sabia que o queria... sem medos... queria virar a página e deixar para trás os sonhos perdidos... sem ter que pensar em futuros... apenas viver o momento presente.

Queria satisfazer os seus desejos por mais loucos que fossem sem ter que se preocupar com os pormenores mundanos... queria fechar os olhos e quando os abrisse que ele estive ali a olhar-lhe nos olhos... sem cobranças... sem promessas e que apenas a tomasse nos braços e a fizesse sentir-se viva de novo...

Queria voltar a ouvir e sentir a música a subir-lhe pelas veias e dançar, dançar como dançava antigamente... fechando os olhos e soltando-se...revelando a sensualidade escondida e mesmo sabendo que os seus movimentos despertavam vontades em quem a rodeava... esquecer-se da multidão e dançar para si própria... 

Sabia quem poderia apagar aquele fogo que sentia... mas na falta dele, sabia que lentamente a dança a libertaria desse fogo...

imagem retirada da net


terça-feira, 29 de julho de 2014

Rumo incerto...

Saiu sem rumo, sem destino, sem hora marcada para voltar... com a cabeça cheia de momentos e de histórias do passado, do presente, sem saber qual seria o seu futuro.

Cortou as amarras que a mantinham presa a uma vida inteira sem querer olhar para trás... sabia que era um caminho sem retorno... seria? Sabia que aquele que a tinha acompanhado tinha tomado um caminho diferente... já não rumavam em sintonia...

Sem ressentimentos acertaram o que havia para acertar, tinha acabado o amor mas a amizade ficava, ficavam para as memórias lutas e batalhas que se foram conquistando... tinham deixado de ter os mesmos sonhos, deixado de ouvir as mesmas músicas, deixado de partilhar intimidades que só eles sabiam... No jardim que ambos cultivavam as flores foram murchando... com falta de alimento, secaram...

Não sabiam o que iria acontecer, se cada um tomaria o seu rumo ou se um dia se voltariam a cruzar...

Sabiam apenas que se os seus caminhos se voltassem a cruzar que teriam que voltar a conquistar-se... mimar-se... voltar a namorar como antes, voltar a amarem-se loucamente... pois só assim poderiam escolher o mesmo rumo!


terça-feira, 22 de julho de 2014

Êxtase...

Abriu o armário e com o olhar escolheu o vestido e os sapatos que a levariam ao destino...
Sorriu e vestiu-se como se aquelas peças fossem parte de si,
a sua segunda pele.
Saiu...
Desceu a escadas devagar sentindo cada degrau..
Percorreu as ruas da cidade sentido a noite... os sons... as conversas de café... e procurou...
Sentiu as notas ao longe a tocar e apressou o passo ansiosa por chegar...
Parou quando ouviu o som da guitarra... a voz do fadista que um dia a tinha feito sonhar...
Sorriu e continuou o seu caminho...
Queria mais, muito mais... queria sentir envolver-se por aquele som que um dia a tinha feito sentir-se diferente e especial...
Continou pois sabia que o havia de encontrar...
Começou a sentir o aroma da noite, cruzando-se com as sombras que se desenhavam nas janelas das ruas apertadas...
Foi então que ouviu... o som que a fez parar... tremer... sentiu a emoção a correr-lhe nas veias...
O friozinho na barriga... começou a sentir a adrenalina a subir...
Parou à porta e respirou fundo antes de entrar...
Com passos estudados entrou e parou no meio da pista de dança...
Ainda era cedo e apenas havia um par de dançarinos a desenharem sombras com os seus corpos...
Fechou os olhos e deixou-se possuir, sentiu as veias a latejar..
E entrou na sua dimensão... sentiu a música a percorrer-lhe o corpo.
A voz rouca do cantor envolveu-a... do músico que o acompanhava...
E no auge do prazer que sentiu... ela dançou!...

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Há pessoas que nos inspiram...

A vida é feita de bons momentos e inspirações... por acaso ou não cruzamo-nos com pessoas que nos inspiram... mas a mais importante de todas somos nós!
 
Temos momentos menos bons em que deixamos de acreditar em nós mas ainda bem que há momentos em que queremos acreditar e decidimos avançar.
 
Inspirada também pela Catarina aqui, desde o momento em que por um acaso há alguns anos "tropecei" no blogue dela... era tudo tão simples... os gostos, as partilhas, o abrir de coração, fez-me sorrir, fez-me chorar... quando a Catarina publicou o livro tive que comprar e devorei... e voltei a ter sorrisos e lágrimas mesmo já conhecendo as palavras que ela mais uma vez partilhou.
 
Hoje acabei de ler o segundo livro... aquele que comprei novamente cheia de vontade de ler, mas... havia qualquer coisa que não me deixava pegar nele... os meus receios, a minha falta de vontade de voltar a conseguir... no mês passado ganhei coragem e no caminho diário dos transportes comecei a ler... e encontrei-me nalgumas palavras, no meio de algumas frases... descobri a razão de alguns disparates que fui fazendo, chama-se "a fome-para-acalmar" e num misto de acordar vi ali escrito aquilo que eu no fundo sabia... e "zanguei-me" comigo, com o livro (só hoje acabei de o ler)... eu sei (porque já passei por isso) que há coisas que não vale a pena serem os outros a dizerem-nos... nós sabemos e temos que ser nós a decidir, a dizer É Hoje!, não vale a pena dizer amanhã faço...
 
Não é fácil... porque entre todas as correrias e agenda apertada tive que decidir que teria que fazê-lo sozinha... e decidi que ia literamente "por os pés à estrada", mesmo sem companhia (que servia de desculpa para ir adiando)... num momento meu... sem medos e a olhar para a frente... decidi também que sei dizer não, mas que há momentos em que podemos dizer sim... basta querer! E nas minhas conquistas comecei a caminhar... e já há quem diga que ainda irei correr! Um dia de cada vez!...
 
Decidi fazer as pazes comigo, com o espelho e com a balança, mas principalmente com o meu corpo e sem medo voltar a gostar mais de mim...
 
Há pessoas que nos inspiram...mas a principal que me inspira sou EU!