sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Moinho

As suas vidas tinham entrado na rotina do dia-a-dia... tudo o que faziam era quase mecânico... sem mudanças nas suas vidas geridas pelo relógio e pelo passar dos dias. Os tempos de paixão brindados pelas pequenos mimos com que se brindavam tinham ficado para trás... os tempos de namoro onde por vezes a adrenalina do perigo lhes aumentava o desejo e excitação perderam-se nas rotinas, nas contas diárias, nas inseguranças e até nas pequenas desconfianças que por vezes se instalavam nas suas vidas.
 
Todos os dias saiam juntos para irem trabalhar apenas separando-se no momento exacto em que cada um seguia o seu caminho, já pouco conversavam a não ser dos acontecimentos presentes... Regressavam juntos depois de um dia preenchido... Depois era o chegar a casa e retomar as rotinas domésticas... até no exercício diário tudo parecia sempre planeado.
 
Naquele dia mais uma vez sairam para a sua corrida lado a lado cada um com os seus phones e ouvindo músicas diferentes... em passo de corrida... o tempo estava carregado, anunciando uma trovoada e com cheiro de chuva ao longe... já distantes de casa foram apanhados pelas primeiras gotas que começaram a cair primeiro ao de leve mas rapidamente transformando-se em chuva forte. Não se via ninguém naquele caminho, pararam para ver onde se poderiam abrigar e foi então que avistaram aquele moinho abandonado ao longe... trocaram olhares e sem falar dirigiram-se para aquele que era o único abrigo à sua volta...
 
A porta estava semi aberta... empuraram e entraram... nesse momento os seus olhos cruzaram-se e olharam-se como havia tempo que não acontecia, a chuva tinha-os molhado e as roupas estavam coladas revelando curvas sem pudores. Ele deu-lhe a mão e sem dizer uma palavra levou-a para junto da escada interior do moinho, mesmo ao lado estava a mó que outrora tinha produzido e alimentado a povoação. Sem hesitar ela seguiu-o, começando a sentir um formigueiro na barriga que lentamente descia... Ela tremeu e ele no mesmo segundo abraçou-a como se a quisesse proteger e dar-lhe o seu calor. Mais uma vez os seus olhos se cruzaram e ela sentindo-se cada vez mais liberta aproximou-se e mesmo de olhos fechados desenhou o caminho dos seus lábios com a ponta da língua, deixando-o com vontade de mais... fazendo com que a sua respiração começasse a ficar mais acelerada... Ele começou a tirar-lhe a roupa molhada em silêncio revelando o corpo que reagindo ao toque das suas mãos dava sinais de que queria mais... e mais...
 
Foi então que sem pensarem em mais nada, em ninguém, nem no tempo se deixaram envolver e os seus corpos uniram-se, entregando-se como se fosse a primeira vez... sucumbindo à paixão, querendo apenas partilhar desejos e prazeres há muito adormecidos...



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